Um home office 
 no fim do túnel 
Os 5 perfis que identificamos nos mais variados artigos, matérias e entrevistas sobre home office.

 

Por Amanda Brandão e Ana Cardoso - Back to Humans 

PARTE 1
  • Atualizado em 22 de Março de 2020 

    Uma possível recessão causada por pandemia já vinha sendo um dos cenários previstos pela consultoria McKinsey em matéria publicada em 9 de março, dias antes da OMS oficializar o cenário de contaminação mundial de COVID-19.

    O bagulho é sério e, do pouco que se sabe, existe um consenso: a distância social é fundamental para prevenir a disseminação do coronavírus. Assim, sem se preparar para isso,  milhões de pessoas estão tendo que aprender a trabalhar em casa. 

     

    No site do Back to Humans, em nossa pesquisa objetiva, ao perguntar sobre o local de trabalho, adeptos do home office somavam 27,3%, antes mesmo da pandemia. Mas, entendemos que é uma amostra muito pequena.

    Em diversas entrevistas presenciais realizadas em outubro de 2019, percebemos a #RESISTÊNCIA AO REMOTO. No Brasil, a cultura do "trabalho remoto" é muito fraca, mesmo tendo regulamentação trabalhista desde 2017, e pouco praticada na maioria das empresas. Poucas empresas incentivam, autorizam, assim como nem todo trabalhador se encantava com a ideia. Mas, isso ficou pra trás. De uma hora pra outra, quem pode trabalhar de casa, passou a fazer.

     

    Menos deslocamento, menos poluição e menos risco de contágio. É possível que nas próximas semanas, o trânsito e a emissão de CO2 no Brasil também sejam menores, como tem acontecido nos países que já instituíram o isolamento de pessoas.

     O que já está acontecendo: 

    Milhares de empresas já vinham tentando descobrir como manter suas operações em um mundo virtual, antes mesmo de precisar liberar os funcionários para home office. Agora, na marra, todos estão sendo obrigados a repensar os processos em seus negócios.

    Não faltam estudos e reports já realizados em anos anteriores que comprovam a produtividade do home office. Toda análise requer muita cautela e bom senso, afinal o cenário é outro: pesquisas desenvolvidas antes da pandemia não podem ser comparadas a este momento de forma tão literal. 

     

    Alguns portais como Bloomberg e BBC chegaram a dizer que esse é o maior experimento social de trabalho em casa. Acreditamos que a dinâmica de trabalho não será a mesma quando o mundo voltar ao normal (se voltar). O teletrabalho pode até ser o novo normal. 

     

     Conceitos sobre o trabalho remoto

     

    • Trabalho remoto significa trabalhar (pelo menos parte do tempo) em um local que não é o escritório da empresa. É poder trabalhar de qualquer lugar. Nesse caso, o home office pode ser uma das muitas opções, mas também é possível trabalhar de coworkings, cafeterias, salas de espera de aeroporto ou em praias com bom wi-fi. Não é o indicado para milhares de pessoas do mundo no cenário atual. 

     

    • Home office significa exercer uma atividade profissional no meio das suas coisas pessoais, mesmo. As possibilidades aqui ficam entre trabalhar sentado na cama, na mesa de jantar, no sofá da sala, no meio das roupas para passar ou para os mais organizados, em uma mesa de escritório.Mesmo antes do coronavírus, a casa já era o principal escritório dos profissionais que praticam o modelo remoto. Segundo relatório de 2020 da Buffer sobre o trabalho Remoto,  80% desses profissionais trabalham em casa.

     

     

    • Teletrabalho: No Brasil, a Lei 13.467 de 2017, entrou em vigência em 11 de Novembro de 2017. Os Art. 75-A até o 75-E da Reforma Trabalhista, regulamentam e conceituam o trabalho remoto e passam a chamar formalmente de teletrabalho. O teletrabalho significa realizar serviços fora das dependências da empresa na maior parte do  tempo e utilizar as tecnologias como ferramentas de comunicação.

    • Comunicação assíncrona: Aprendemos com o pessoal do Officeless que comunicação assíncrona significa comunicação não simultânea. É quando você envia uma mensagem em determinada ferramenta de comunicação e a resposta será enviada para você em outro momento, no tempo que a pessoa puder responder. Nesse caso é um método estabelecido, combinado entre os profissionais para  não ter stress se acontecer o "visualizar e não responder".

      Perfis de trabalhadores remotos 

     PERFIL 1: Familiarizados e felizes com o trabalho remoto. 

    Entendem, praticam e defendem o trabalho remoto. Pessoas que  já vinham desenvolvendo a cultura e prática de trabalho remoto, acabam demonstrando maior facilidade para enfrentar o momento dentro de casa. 

     

    Dados da Gallup mostraram que nos EUA, até 2017 43% dos trabalhadores, exerciam suas atividades remotamente pelo menos uma parte do tempo. Os fãs do modelo costumam compartilhar relatórios que comparam o teletrabalho com aumento de produtividade. Como esse de Stanford.

     

    Essa paixão por quem vive o remoto foi mesmo identificada no relatório The 2020 State of Remote Work, da Buffer, no qual 98% dos trabalhadores remotos entrevistados disseram que querem continuar trabalhando desta forma pelo resto de suas carreiras. Além disso, parece que uma vez que alguém experimenta trabalhar remotamente, costuma recomendar: 97% disseram que recomendariam trabalho remoto para outras pessoas. Mas lembre-se: trabalho remoto não é home office. Uma coisa é ter a liberdade de ir e vir com seu laptop, por diversos lugares, outra bem diferente é ter que ficar trabalhando obrigatoriamente de casa.


     

    Eu por exemplo sempre fiz home office porque eu queria e não por um motivo específico, como agora. Eu tinha configurado em minha agenda que terça e sexta eu ficava em casa mas se eu não quisesse ficar tudo bem, eu ia para o escritório, sendo bem flexível.  

    R., 25 anos, Desenvolvedor 

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    Eu vejo que o trabalho remoto é legal porque envolve uma habilidade de comunicação diferente. Tem que existir um planejamento mais claro, a comunicação assíncrona é muito legal, porque eu não vou chegar no hangout do meu colega e perguntar “e aí você já fez”, no máximo eu vou chegar e mandar um Slack e esperar sua resposta, então às vezes eu não consigo ter esse contato tão rápido, então tem que trabalhar um pouquinho da ansiedade, enfim, todo esse contexto. 

    C. 20 anos, recrutamento 

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    Temos cultura de muita autonomia e de cobrar por produtividade, não existe cultura de ficar controlando aonde a pessoa está, que hora ela está fazendo. A cultura é por entrega, para minha equipe estar fazendo home office, se a gente combinou alguma coisa, vou cobrar aquela entrega combinada, sem querer saber como, onde ela está. Com minha equipe, toda segunda-feira temos um week planning e colocamos no Trello os cards. Segunda às 10h nos reunimos para avaliar se ficou algo pendente da semana anterior, o que vamos fazer ao longo da semana. 

    R., 33 anos, endomkt e marca empregadora 

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    O atendimento remoto na psicologia, por exemplo já vinha ganhando campo, pois pode ser ofertado em locais onde não existem profissionais. 

    K., 40 anos, psicóloga 

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    As próprias empresas já vinham estimulando o trabalho remoto, pois viam a vantagem de não terem custos com infraestrutura de escritórios para alojar seus funcionários, ao mesmo tempo que oferecia maior equilíbrio vida-trabalho. 

    D., 40 anos, Customer Success 

     

    Mas o modelo não é para todo mundo. Há quem conheça o modelo e não goste muito...

     PERFIL 2: Familiarizados 'pero no mucho

     

    Têm a prática, mas preferem o escritório porque não se identificam com a cultura.

     

    O amor pelo trabalho remoto, ou mesmo pelo home office, não é unanimidade. As diferentes experiências que as pessoas têm, geralmente estão relacionadas ao seu perfil individual e ao contexto estrutural no qual foram inseridas. Por exemplo, o relatório da Buffer  identificou que 53% das pessoas que não recomendam trabalho remoto, trabalha em empresas e equipes com modelo híbrido, nos quais há uma mistura de trabalhadores remotos e em escritórios. 

     

    É bem possível que essas pessoas estejam precisando enfrentar desafios culturais e de colaboração, com os que não praticam o remoto. Também é possível que a própria empresa ainda não esteja estruturada para oferecer suporte suficiente a esses trabalhadores.


     

    No meu trabalho em São Paulo sempre foi bem diversificado, podia atuar remotamente e também no escritório, mas eu sempre preferi atuar no escritório, porque eu conseguia ter um contato mais legal com todo mundo. 

    D., 35 anos, marketing e analista de conteúdo

     

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    Nas empresas em que trabalhei, e já trabalhei em empresa com mais de 400 mil funcionários, o home office se mostrou uma mentira. Nem todo mundo tem a responsabilidade de ser dono do seu próprio horário.

     M., 40 anos, executivo 

     

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    Estou fazendo muito trabalho, mas estou começando a ficar nervoso com a falta de estímulo. Faz dias que não interajo cara a cara com um humano que não está relacionado a mim. Ficarei em casa enquanto meus chefes e as autoridades de saúde aconselharem. Mas, sinceramente, mal posso esperar para voltar ao trabalho.

     Kevin Roose no artigo da New York Times 

      PERFIL 3: Sem experiência,

    em processo de aprendizado

     

    Desde que o home office vem se tornando nova prática de empresas, uma cultura nova está se desenvolvendo. Enquanto uns começam o dia "batendo cartão" com uma foto de 'check-in' para um grupo da plataforma de comunicação DingTalk; alguns gestores começam a admitir que os trabalhadores estão sendo mais eficientes; outros ainda temem a diminuição da produtividade. 

     

    Tudo é relativamente novo. Empresários e empregados estão tentando entender e se adaptar ao estilo de vida do trabalho em casa. Existe uma complexidade intrínseca do lar: seus colegas de "escritório" passam a ter crianças, familiares e questões domésticas. Em tempos de coronavírus, é difícil abstrair das notícias e da preocupação com a economia, os parentes mais velhos e o futuro. Isso pode mesmo afetar a capacidade produtiva.

     

    Segundo reportagem da BBC, em países como a China, trabalhar em casa é uma prática muito menos comum do que no Ocidente. A hierarquia do trabalho é peça-chave aí. No Oriente impera o estilo de gerenciamento de cima para baixo, o formato home office opera por outra lógica, a lógica da autogestão. 

     

    Gestores que não acreditam que seus funcionários podem trabalhar em casa revelam despreparo e resistência em absorver a cultura e prática do modelo. "Agora somos forçados a trabalhar em casa, eles [RH] são forçados a adaptar a forma como monitoram", diz Sun Meng, 32 na matéria Como o Covid-19 levou a um experimento nacional de trabalho em casa, da BBC.

     

    Para os chineses, trabalhar em casa tornou a administração mais difícil, devido à comunicação menos eficiente. “Ao trabalhar em casa, os membros da minha equipe às vezes me respondem tarde, o que me faz sentir fora de controle", conta Xin Sun, 36, gerente do Pingan Bank em Shenzhen, na mesma matéria da BBC.

     

    Matt Mullenweg, executivo-chefe da Automattic, a empresa de software proprietária da plataforma de blogs WordPress, garante que  o momento "também pode oferecer uma oportunidade para muitas empresas atrasadas finalmente construírem uma cultura que permita flexibilidade de trabalho".

     

    É mais uma chance para que empresas construam estruturas capazes de oferecer uma relação mutuamente benéfica com os funcionários.

     

    Em matérias publicadas, cujo foco traziam a experiência do home office sob o ponto de vista de empresas sem a cultura do remoto, ficou evidente o medo do julgamento que essas pessoas sofrem por estarem em casa. Além disso a mentalidade de comando e controle, ainda praticado por muitas empresas pode acabar exigindo que o profissional passe tanto tempo comprovando que está mesmo trabalhando de casa, que a atenção na atividade que precisa ser realizada pode mesmo ser menor.

     

    "Quero mostrar que trabalhar em casa e no escritório é o mesmo, mas estou preocupado que meus colegas pensem que não é justo. Eles podem pensar que trabalhar em casa é luxuoso”, confessa Tao, entrevistada na matéria Como o Covid-19 levou a um experimento nacional de trabalho em casa, em publicação da BBC.

     

    Além da questão comportamental, o home office pode trazer uma série de riscos para as empresas que não adotaram políticas de segurança da informação. Muitos associam empresas de tecnologia com a possibilidade fácil de home office, mas nem sempre é assim. Por conta da segurança de dados e privacidade, algumas atividades  podem acabar sendo mantidas dentro das corporações. Moderadores de conteúdo e revisores de App Store, por exemplo, analisam material e códigos não-lançados de terceiros, e muitas das empresas não querem que esses dados saiam de suas instalações.

     

    Estariam nossos dados ainda mais vulneráveis em tempos de coronavírus, nas mãos de trabalhadores que trabalham com dados sigilosos e que podem precisar sair de dentro das corporações?

     

     

    "Se por um lado o aumento do trabalho remoto ajuda a proteger a saúde dos trabalhadores, por outro, criminosos tentam tirar proveito do interesse por informações sobre a doença, ocultando arquivos maliciosos em documentos supostamente relacionados a este surto. Enquanto estivermos preocupados com as ameaças à saúde, é possível que surjam mais e mais golpes”, explica Dmitry Bestuzhev, diretor da equipe de pesquisa e análise para a América Latina da Kaspersky em matéria publicada pela própria empresa.

     

    Esse assunto, nos dá o gancho para descrever o próximo perfil.

     PERFIL 4: Trabalhadores de atividades não remotas 

     

     

    Zé João preparado para trabalhar de casa - Autoria desconhecida até o momento dessa publicação

     

     

    Nem todos os negócios podem operar facilmente de maneira remota. Para muitas empresas, direcionar os funcionários de escritório a ficar em casa não soluciona todos os desafios.  Muitos dependem de fábricas, empresas de logística e pontos de venda que enfrentam suas próprias interrupções.

     

    Alguns negócios já começam a reduzir a quantidade de pessoas que precisam comparecer ao local de trabalho na tentativa de diminuir a propagação do vírus e ajudar a reduzir a tensão de sistemas de saúde locais. No entanto, indústrias tradicionais que precisam de trabalhadores nas linhas de produção são mais resistentes ao modelo de trabalho em casa.

     

    Em uma matéria publicada pela da revista Times, a entrevistada Lydia, uma garçonete de 22 anos na cidade de Nova York, diz estar preocupada em ser exposta no trabalho, onde estima que interage com 500 a 600 pessoas em noites agitadas. Ela duvida que o restaurante em que trabalha se feche diante de um surto. Ela diz que provavelmente precisará continuar trabalhando não apenas para sobreviver, mas para mostrar aos gerentes que ela leva o trabalho a sério.

     

    "O tom subjacente aos gerentes é: 'se você não puder fazer esse trabalho, eu posso encontrar outra pessoa que possa'", diz Lydia.

     

    Nos EUA, cerca de 42 milhões dos 144 milhões de trabalhadores norte-americanos poderiam trabalhar em casa em 2018, ou apenas 29% da força de trabalho, de acordo com o Bureau of Labor Statistics dos EUA. Esses outros milhões de funcionários que não podem trabalhar em casa ainda tem um agravante: não têm licença remunerada suficiente. 

    Já na China, a política nacional obrigou legalmente empresas a pagar aos trabalhadores a maior parte de seu salário quando o país fechou fábricas e estabelecimentos para conter a propagação do vírus.

    Empresas preparadas que podem se apoiar em políticas públicas, mantém seus colaboradores tranquilos apoiando que trabalhadores horistas continuem sendo pagos, mesmo quando as pessoas trabalham em casa.

    No Brasil, escolas e faculdades estão cancelando as aulas. Os eventos e o setor do turismo, como um todo, já sentem o baque. Muitas empresas e até mesmo setores públicos estão optando por enviar os funcionários para casa. Os trabalhadores ficam à mercê da decisão de seus empregadores. No caso do trabalhadores informais, está cada um pela sua conta e risco. 

     PERFIL 5: Idealistas 

     

     

    Percebemos que há trabalhadores que idealizam o modelo home office. Muitas pessoas manifestaram-se nas redes nos últimos dias, algumas entusiasmadas com a possibilidade de começar a trabalhar de casa. Outras pessoas se mostraram indignadas porque precisou uma pandemia para que suas empresas se abrissem a implementar o trabalho de casa.

     

    A otimização na comunicação entre profissionais é uma das bandeiras levantadas pelos idealistas que romantizam o home office. Você já deve ter visto algum meme do tipo: "Aquela reunião poderia ter sido um e-mail". Mas talvez essa sensação venha na verdade de outro aspecto mais profundo, o cansaço. Um estudo do IBOPE Inteligência, apontou que 98% dos trabalhadores brasileiros está cansado. Vamos combinar que alguém cansado não consegue contribuir, nem mesmo absorver o que acontece em uma reunião. Talvez surja daí, a sensação que um e-mail seria uma forma de otimizar a comunicação.

    A verdade é que o home office não necessariamente facilita a comunicação, muito pelo contrário. Quem já tem a cultura e prática do home office, relata que um dos aspectos mais problemáticos no trabalho remoto é a comunicaçãoA dica para os entusiasmados então é: "quarentena não é férias". Teremos muito trabalho para reaprender a trabalhar em um cenário que se mostra novo a cada hora.

    Que falar mais com a gente sobre o tema?

    Então chama a gente por DM no Insta @backtohumansteam ou pelo backtohumans@gmail.com

    PARTE 2

     

     

     

    Poucos estavam preparados para quarentena e trabalho online. Desde a instrutora de yôga que não sabe transmitir uma aula por vídeochamada (e vai ter que aprender) ao empreendedor que liberou sua equipe, mas quer que cumpram horário comercial e estejam em ambiente super tranquilo e silencioso (e os filhos, enfia onde?), a estrada está sendo nova e incerta para todos. Listamos alguns dos maiores desafios registrados nos artigos, pesquisas e entrevistas que inspiraram esse conteúdo:

     Comunicação 

    Apesar de existirem diversas ferramentas, a comunicação ainda é um dos aspectos mais críticos quando se trata de home office. As interações entre as pessoas ganham uma nova lógica. Empresas que não fornecem políticas claras ou treinamento de práticas de comunicação podem confundir os trabalhadores, que podem ficar mais preocupados em querer anunciar a todo momento que estão fazendo algo do que interagir com questões realmente relevantes para o andamento de seus trabalhos. Trabalhar é mais importante do que demonstrar que está trabalhando, afinal.

     

    Para Frank Weishaupt, CEO da Owl Labs, que criou o Meeting Owl, uma câmera inteligente de 360 °, quando se trata de dividir uma equipe entre remoto e baseado em escritório, independente da proporção, “os desafios permanecem os mesmos: comunicação ineficaz. Como empregador, é fundamental manter uma comunidade para todos os trabalhadores, apesar de sua localização física, e exigir treinamento de gerentes específicos para trabalhadores remotos, além de fornecer os mais recentes avanços tecnológicos nas ferramentas de colaboração digital em toda a organização".

    Para Amir Salihefendić, CEO da Doist, empresa que cria ferramentas que promovem uma maneira mais calma de trabalhar e viver, acredita que a comunicação é uma luta para todas as equipes. “A comunicação e a colaboração ainda são as principais lutas, pois afetam todas as equipes e [essas são] coisas que ainda não descobrimos completamente, mesmo para equipes não remotas.”

     Isolamento 

     

    Os profissionais são humanos, logo, são seres sociais. O isolamento social físico não pode significar abandono. Mesmo antes do coronavírus, o trabalho isolado algumas vezes representava um sentimento de solidão.

    Os trabalhadores que precisam se manter em home office devem receber suporte emocional por parte da empresa, mesmo que através de práticas remotas do RH. Pessoas que estão acostumadas com a rotina perto de suas equipes de trabalho e que passam muitas horas fisicamente juntas vão sentir o abalo dessa ruptura e precisam de acolhimento para lidar com o novo momento. A interação com outras pessoas da empresa e os laços precisam ser mantidos.

    Se antes o engajamento contra a solidão do trabalho remoto era administrado por algumas empresas com visitas ao escritório pelo menos uma vez por semana ou encontros sazonais, agora o momento exige criatividade remota.

     

    No GitLab, por exemplo, uma plataforma de colaboração de código aberto, os funcionários remotos são incentivados a agendar "coffee breaks virtuais" - videoconferências puramente sociais - com colegas que eles não conhecem bem. Se a evolução do vírus continuar impossibilitando as pessoas de irem ao escritório, as empresas poderão precisar aprender novos métodos de interação remota. Acreditamos que empatia e colaboração podem sim ser estimuladas de qualquer lugar, quando ações são bem planejadas e executadas por gestores preparados. Líderes orientam, acolhem, indicam caminhos e inspiram. Agora, no mundo virtual, mais ainda.

     Efeito Pêndulo 

     

    Como muitas empresas não têm políticas claras sobre o modelo home office, é possível que muitos profissionais abracem ainda mais a cultura do excesso de trabalho. No mercado da tecnologia, por exemplo, existem pessoas que trabalham 12 horas por dia, 6 vezes por semana. Isso não deve ocorrer. 

     

    Muitas vezes as pessoas tentam compensar a sensação de estar em casa com mais horas de trabalho. Ou não conseguem desconectar ou estabelecer gatilhos que auxiliem a transição das atividades profissionais para os momentos domésticos.

     

    "Você tem seu local de trabalho, sua casa ...

    Se esses dois lugares acabam sendo o mesmo local, onde você vai descomprimir?"

    Andreas Klinger, Head of Remote at AngelList, no relatório da Buffer.

     

     Vida pessoal atribulada 

    Imagine o cenário: milhares de pessoas e familiares que não tinham o hábito de trabalhar em casa, começam a trabalhar todas juntas ao mesmo tempo em suas casas, convivendo isoladas de seus outros grupos sociais e ainda tendo que demonstrar produtividade para suas corporações. Por maior intimidade e amor que esses membros tenham uns pelos outros, é possível que as questões pessoais gerem conflitos práticos. 

     

    Muitos pais precisarão encontrar maneiras de organizar suas rotinas com as  crianças sem aula nas escolas. Ficar com os avós pode ser arriscado e precisa ser evitado. Se separar o trabalho da vida doméstica já era uma dificuldade para quem tinha o home office como realidade, imagine agora! As cartilhas corporativas precisam oferecer muito mais do que orientações sobre higienização e sintomas do coronavírus, o suporte comunitário e social é emergente.

     Estrutura e segurança de dados 

    Empresas que ainda não tem políticas de segurança para profissionais que vão exercer atividades home office, precisam urgentemente se preparar e começar a construir essa estrutura. Principalmente para quem trabalha com dados e informações confidenciais. Muitas organizações com trabalhadores remotos não paga despesas mensais associadas ao modelo.

     Inteligência socioemocional 

    Se antes do coronavírus e a vida em sociedade já exigiam habilidade para a nossa relação com as nossas emoções, o momento exige ainda mais maestria.

     

    Em momentos de pandemia, a adaptação de palavras, tons de voz, gestos e emojis na expressão do que sentimos, é essencial para estabelecer e manter relações de confiança. 

     Futuro imprevisível 

     

    O impacto do home office nas habilidades criativas e no pensamento inovador para a solução de questões corporativas ainda são uma incógnita. Há quem afirme que as pessoas que trabalham juntas na mesma sala tendem a resolver problemas mais rápido do que colaboradores remotos. Em setembro de 2019 falamos sobre como a necessidade de adaptabilidade já vinha sendo trazida como principal ponto dos novos formatos de trabalho. O coronavírus veio para acelerar essa experiência.

     Nem só de adversidades

    vive o home office 

     

    Liberdade, flexibilização de horários, não precisar se deslocar, infraestruturas de transporte menos congestionadas, diminuição das emissões de carbono e equilíbrio de vida fazem com que as atividades virtuais modifiquem o futuro da nossa humanidade.

     

    "Uma infraestrutura de trabalho remota resiliente pode amenizar o golpe econômico de uma pandemia, diz David Henshall, CEO da empresa de trabalho remoto Citrix.

     

    Ações de empresas de comunicação remota sobem. Zoom, WeChat Work, Tencent e DingTalk têm apresentado um crescimento surpreendente, graças ao fortalecimento da tendência de empresas adotarem o modelo de home office.

    Liberdade, flexibilização de horários, não precisar se deslocar, infraestruturas de transporte menos congestionadas, diminuição das emissões de carbono e equilíbrio de vida fazem com que as atividades virtuais modifiquem o futuro da nossa humanidade.

     Pra fechar 

     

    A casa costumava ser um refúgio do trabalho.

    O trabalho também costumava ser o refúgio do lar. E agora, José?

     

    Estamos passando por um momento ímpar de autogestão, de convivência doméstica forçada, de restrição no ir e vir, de manter a serenidade e respirar fundo, desde que perto de uma janela e longe de outro humano.

     

    É hora de transformar a liberdade em responsabilidade. De delegar, confiar e cobrar o resultado final, sem ficar controlando e pensando no que o outro está fazendo. A melhor maneira de trabalhar em casa é planejar a agenda, organizar metas e prazos com colegas, conversar, desabafar e aceitar que a quarentena pode durar muito. 

     

    Sejamos como as crianças: façamos perguntas difíceis, imaginemos planos fantásticos e, o mais importante, vamos rir e chorar quando der vontade para que nossa humanidade não nos abandone.

     

    Sintam-se abraçad@s, 

    Equipe Back to Humans

    Texto: Amanda Brandão e Ana Cardoso - Back to Humans 
    Revisão: Douglas Strelow
     
    Agradecimentos: Entrevistados, Romy Sato e Diego Stürmer 
    Fontes:
    IG /TWITTERBLS OFFICELESS/ FORBES / BBC / THE VERGE / NYTIMES / TIME / THE GUARDIAN / AXIOS/ MC KINSEY / BUFFER / SETHS BLOG 

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